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Teoria da última cerveja

Você está num pub, encostado no balcão, conversando com seus amigos. Do outro lado do bar, há um grupo de meninas. Uma é exatamente o seu tipo. Você fica naquela observação discreta até que rola uma troca de olhares. Você fica na dúvida, afinal, pode ter sido apenas uma coincidência.

Depois de um tempo, você espia novamente e voilá: a situação se repete. Não há dúvidas. Rolou clima. Como bom tímido, você vira para o barman e pede mais uma cerveja. É aquela coisa: atravessar o salão e puxar conversa, para uma pessoa introspectiva, em muitos casos, exige um mínimo de embriaguez.

O flerte continua e as cervejas também. A cada garrafa, você pensa: Quando terminar essa, eu vou. Você sabe que, quanto mais relaxado estiver, maiores são as suas chances de se dar bem. Então, quando a cerveja acaba, você repete para si mesmo: Só preciso de mais uma. Aí estou pronto.

Olhar daqui, sorriso dali, e nada. Porque a sua insegurança sempre pede um gole a mais. Aí estou pronto. Mas o que normalmente acontece nesses casos é que o grupo de amigas vai embora. E você fica lá, se martirizando por ter demorado mais que a conta. Essa frustração, comum entre os tímidos, é também comum entre os jovens empreendedores. Você tem uma ideia e fica mexendo, repensando, polindo. E a cada modificação, você repete para si mesmo: Falta só mais isso, aí estou pronto. É o que chamo de Teoria da Última Cerveja. Qualquer ideia pode ser melhorada. Fato. O bom é inimigo do ótimo. Essa é uma tentação.

Quanto mais você mexe numa ideia, melhor ela parece e mais perfeccionista você se sente. Perceba: assim como no Vale das Ideias, há uma recompensa emocional aqui, que alimenta o seu ego e só tende a aumentar a procrastinação.

Minha sugestão: concentre-se. Há um ponto em que você tem que parar de focar nos detalhe se fechar de vez a etapa de ideação. Dizendo de outra forma: você nunca vai terminar uma ideia. Você sempre deve parir uma ideia. Se não interromper o processo meio abruptamente, sempre haverá espaço para novas iterações. E, assim, você ficará sempre pedindo mais uma cerveja.

Texto extraído do livro “Vai lá e Faz” do futurista Tiago Mattos.

Tiago é considerado um dos principais educadores sobre Futurismo no Brasil. É professor da Universidade Hebraica de Jerusalém (Trans-disciplinary Innovation Program), sendo a figura responsável pelos conteúdos de Futurismo. Suas palestras sobre o futuro já foram ouvidas por audiências internacionais em países da América do Sul, América Central, América do Norte, Europa, Oriente Médio e Oceania.

Atualmente, lidera a Aeroli.to: empresa que oferece cursos de Futurismo e realiza experimentos na área de realidade virtual, internet das coisas, robótica e inteligência artificial.

 

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