Administração Gestão Pública

O Colapso das gestões públicas e os desafios dos Novos Gestores

Os últimos anos das administrações públicas municipais foram pautados por significativa deterioração das contas públicas. Nem mesmo a elevada carga tributária que entrou para os cofres públicos foram suficientes para sustentar os gastos desordenados e sem planejamento. Em meio a um colapso de gestão pública, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN (2015), 84,2% dos municípios brasileiros, até o final de 2014, enquadravam-se nos piores índices de gestão fiscal, ou seja, gestões fiscais classificadas entre ruins e péssimas. Índices assustadores, pouco difundidos e, portanto pouco conhecidos pela população brasileira. Entretanto, tem-se à frente, a esperança de que os gestores públicos municipais, eleitos no pleito de outubro de 2016, possam não só melhorar os índices de gestão fiscal, equilibrando receitas e despesas públicas, mas, acima de tudo, passem a tratar o dinheiro público com mais respeito e impessoalidade.

De que forma? Fazendo gestão responsável, com eficiência e eficácia na aplicabilidade do erário público. Certamente, não é um processo simples, diante às inúmeras falhas da administração pública, mas, é um desafio inadiável. Um desafio especialmente, para os gestores comprometidos em administrar o dinheiro do povo, para o povo. Dar o primeiro passo com coragem e determinação rumo a uma nova gestão pública é só o primeiro desafio. Gestões mais dignas, menos centralizadoras, inoperantes, ineficientes, ausentes de empreendedorismo, de planejamento e desfocadas das reais necessidades sociais e fiscais, são urgentes!

Um exemplo dessa urgência está relatado na pesquisa de dissertação de mestrado, realizada pela Professora Mestre Angela Maria Ortolan Bonemberger, da Faculdade IMED – Passo Fundo, durante o segundo semestre de 2015. Visando a contribuir para com a gestão pública municipal dos próximos anos, a professora realizou um estudo com cerca de 700 servidores públicos, em 56 prefeituras do Norte do Estado do RS. O objetivo do trabalho teve, entre outros, compreender de que forma às administrações públicas municipais utilizam seu Capital Intelectual (formado por pessoas, estrutura tecnológica e relações) para melhorar a gestão pública municipal. O resultado da pesquisa revelou o que os servidores pensam a respeito das administrações públicas municipais.

De acordo com os pesquisados, os gestores públicos, sem generalizar, tem pouca noção sobre administração e, geralmente não otimizam o uso dos recursos públicos. O estudo aponta também que mais de 70% dos servidores públicos municipais são profissionais graduados e/ou pós-graduados em áreas de gestão e gostariam de contribuir de forma mais efetiva para com a gestão pública. Entre outras constatações, os servidores municipais expõem receber pouca valorização intelectual (e não se trata aqui de valorização financeira), trata-se, antes, de participar e colaborar para com o processo de gestão e tomada de decisão. Outra questão observada pelos servidores públicos municipais diz respeito às suas chefias. Para eles, há muitos cargos de confiança incapacitados para as funções nomeadas, o que compromete a qualidade dos serviços públicos oferecidos a sociedade. Por fim, apontam que os gestores públicos e suas chefias possuem poucas habilidades de liderança, não motivam para o trabalho em equipe e não conduzem a gestão pública de forma organizada para o atendimento do bem estar social.

Portanto, há muito para se fazer, há paradigmas a se quebrar! Doravante, aos novos gestores públicos municipais pairam grandes expectativas sobre gestão pública. Independente da complexidade exigida no processo de gestão, há uma expectativa de que as necessidades básicas do cidadão possam ser atendidas, há uma expectativa de governos sérios e pujantes e há a expectativa de uma nova gestão pública, onde o bem estar social possa ser priorizado e, os recursos financeiros melhor aplicados. Não será uma tarefa fácil, muito pelo contrário, será difícil dar início a uma nova era de gestão pública. Contudo, é possível! Basta atuar com seriedade, com ética e dinamismo; basta otimizar a utilização do Capital Intelectual e dos recursos financeiros; basta estimular ambientes produtivos e empreendedores; basta planejar, a curto e a longo prazo, o futuro do município; basta prezar pelo desenvolvimento socioeconômico, não só em nível municipal, mas, também regional; basta buscar parcerias público/privadas, para atender às inúmeras responsabilidades atribuídas aos municípios; e, se necessário, basta buscar ajuda e conhecimento em gestão pública.

Por fim, a sociedade quer mais do que favores, quer gestão! E, é por isso, que o maior desafio dos gestores públicos, dispostos a fazer uma nova gestão pública, desde de 1º de janeiro de 2017, está em fugir das “armadilhas” da tradicional e desgastada gestão pública existente.

Artigo escrito pela Professora Me. Angela Bonemberger, assessora em Finanças e Gestão Pública e Valquiria Paza: Professora e Coordenadora do curso de logística da Universidade de Passo Fundo. Ambas sócias da empresa Paza e Ortolan assessoria empresarial.

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